segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O BRASIL E OS GRANDES EVENTOS ESPORTIVOS MUNDIAIS

(Carlos Ramalho)

A 29º edição dos jogos olímpicos realizada em Pequim chegou ao fim e já deixa saudades. Considerado o mais completo de todos os tempos devido tamanha estrutura e organização a China demonstrou ao mundo a que veio e porque sua economia cresce a passos largos ano após ano e a faz insurgir como uma potencia mundial.

No contexto olímpico a maior festa esportiva do planeta torna-se um momento único, eclético, respeitoso, não pela diversidade cultural que o envolve, mas pela linha tênue que invariavelmente envolvem nações ideologicamente e politicamente contrárias em torno de um mesmo objetivo.

Assim os jogos olímpicos, por si só, inspiram disciplina, garra, determinação, superação, e não fora diferente para os atletas ali presentes. Recordes foram quebrados, anônimos se fizeram heróis, e heróis se tornaram vilões, tudo isto registrado ao vivo e em cores.

Se por um lado o brilho dos jogos olímpicos nos deixa extasiado, por outro chama atenção o modelo antidemocrático adotado pela China que viola direitos humanos e mescla ditadura política e mercado liberal, haja vista, as próprias restrições impostas pelo governo para a realização das olimpíadas.

Destaca-se também o volume financeiro investido para a realização dos jogos. Nada menos que 40 bilhões de dólares foram gastos em obras, sendo as de maior destaque o Cubo D´água, e o estádio Ninho do Pássaro.

Do outro lado do mundo para o Brasil. E o Brasil? Fato é que o nosso país irá sediar a copa do mundo de 2014 bem como é forte candidato à sede das olimpíadas de 2016.

A pergunta é: será que temos condições para tal feito?

Particularmente acredito que sim e até seria bom atrair tais eventos para o país. Em contrapartida em vão tento imaginar o montante financeiro a ser gasto para a realização, caso se confirme 2016, de praticamente dois eventos consecutivos de tamanha magnitude cujos padrões internacionais de exigências são altíssimos.

Não fosse a carência básica da população brasileira de investimentos em saúde, educação, saneamento, infra-estrutura, dentre tantos outros, certamente este artigo teria uma ótica totalmente diferente, ou seja, o enfoque seria estar de braços abertos e com o coração alegre para receber a copa do mundo de 2014 e as olimpíadas de 2016.

Um forte abraço,

Carlos Ramalho

2 comentários:

José Luiz Cardoso disse...

Meu amigo Carlos Ramalho,


Gostei muito desse texto. Você está de parabéns! Continue desenvolvendo as suas idéias com firmeza e isenção.

Vanderlei Julio da Silva disse...

Realmente. O governo brasileiro almeja sediar além de uma Copa do Mundo de Futebol, uma Olimpíada. Mas ainda não proporciona espaços poliesportivos decentes para aulas de Educação Física, e deixa de gerar milhões de empregos para toda uma cadeia de profissionais que poderiam auxiliar estes potenciais atletas olímpicos. Ouvi dizer que, para cada 2000 atletas, sai um atleta olímpico. É... sediar uma olimpíada é mais do que simples ampliação de infra-estrutura e construção de vila.