terça-feira, 6 de outubro de 2009

PROMOTOR INVESTIGA CONCURSO

Publico hoje mais um artigo de excelência. Quando o leio não tenho como não me emocionar tal peso tem cada palavra escrita. Trata-se de um texto encaminhado ao Promotor de Justiça que investigava na época (2003) o concurso publico realizado para substituição dos (as) serventes das escolas estaduais. Iluminado por Deus o atual governador Aecio Neves não permitiu que tal maldade fosse praticada. A postagem é datada originalmente de 13/01/2003.

Enviado em: segunda-feira, 13 de janeiro de 2003 16:17
Assunto: PROMOTOR INVESTIGA CONCURSO
.
PROMOTOR INVESTIGA CONCURSO - MATERIA VEICULADA NO JORNAL ESTADO DE MINAS DE 11/01/2003
.
Prezados Senhores,
.
Dr. Nedens Ulisses Freire Vieira, Procurador-Geral de Justiça do Estado de Minas Gerais
.
Dr. Rodrigo Cançado Anaya Rojas - Promotor de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Minas Gerais
.
Sr. José Luiz Longo - Editor - Jornal Estado de Minas
.
Cópia enviada ao Exmo. Sr. Governador Aécio Neves através do Site
www.mg.gov.br
.
Em referência a matéria publicada no jornal acima mencionado, gostaria de manifestar minha indignação através do texto abaixo:
.
Decada de 80. O Brasil passava por grandes transformações. Na luta pela sobrevivência, cada família lutava pelo pão de cada dia. Como testemunha pude conviver e vivenciar a trajetória de D. Enilda e seu Joaquim na busca constante por melhor qualidade de vida.
.
Joaquim, meu pai, era o único que trabalhava. Desempenhava a profissão de Armador e ganhava pouco para sustentar uma familia de seis pessoas, sendo, minha mãe, D. Enilda, minhas irmãs (Rosane, Eliane, Júnia e Cristiane) e eu Carlos. Alimentação, Escola, Saúde, Vestuário... Muitos eram os sonhos de consumos, mas poucas as oportunidades de concretização.
.
Persistentes e firmes, D. Enilda e seu Joaquim nunca se deixaram abater em meio às tantas lutas e tribulações. A união e o amor sempre prevalecia. E mesmo quando tudo parecia sem solução ouviamos de uma mulher forte e corajosa as seguintes frases: "Nós vamos conseguir...", "Deus vai nos ajudar"... e assim fomos crescendo e vivenciando o esforço de D. Enilda e seu Joaquim.
.
Empregada Doméstica, Lavadeira, Auxiliar de Cozinha, foram algumas das muitas funções desempenhadas por minha mãe ao longo dos anos. Tudo isto na tentativa de ajudar no orçamento familiar. Há esta altura eu e minhas irmãs ainda não tinhamos idade nem estrutura para desenvolvermos alguma atividade remunerada que pudesse vir a somar no orçamento.
.
Enfim... o tempo passou e lembro que minha mãe começou a vislumbrar uma oportunidade de trabalhar no Estado. Estavam abertas as vagas para contratação de Serventes, para as escolas estaduais. Minha mãe, então, candidatará-se a uma oferta de emprego. Lembro-me também que naquela epoca, em meados de 1985, o trabalho de servente escolar era literalmente menosprezado e não tinha o devido reconhecimento.
.
Em 1986, D. Enilda começava a trabalhar como Servente escolar. Era o início de novos sonhos, novos planos. Para ela o início e a oportunidade de grandes conquistas e realizações. Era na verdade o incremento financeiro no orçamento familiar. A alegria no seio familiar era notória, pois, além de estar trabalhando, minha mãe estaria pertinho de nós, pois a escola para a qual fora designada ficava a aproximadamente 300 metros da nossa residência.
.
A partir de então toda a responsabilidade que meu pai tinha passou a ser dividida entre minha mãe e ele. As despesas de material escolar, remédios, vestuários já não eram custeados por meu pai. Assim começavamos a vislumbrar um futuro melhor.
.
Passaram se quinze anos. Minha mãe brilhantemente desempenhou com afinco e dedicação sua tarefa diária. Entretanto, agora, na reta final o sonho se vê ameaçado em consequência de um concurso público realizado para preenchimento de vagas para Serviços Gerais. Uma tristeza tomou conta do coração de minha mãe por saber que está, praticamente, desempregada no próximo ano.
.
Não foram poucas as vezes que eu e minhas irmãs encontramos minha mãe chorando em seu quarto por saber que não terá o seu sustento financeiro para cobrir as despesas familiares que são muitas.
.
Cabe ressaltar que a situação aqui mencionada, não se restringe à apenas minha família. Todas estas mulheres, sofridas, batalhadoras, muitas viuvas que estão a ponto de perderem seus empregados são hoje o grande sustentaculo de suas famílias. Estão cometendo um crime para com estas CIDADÃS, que na verdade deveriam merecer todo respeito, atenção e admiração.
.
Quinze anos não são quinze dias. Quinze anos, no caso aqui exposto, é uma vida... de dedicação, dispensada a uma causa. Se fossem feitos uma série de depoimentos de vida com cada uma destas mulheres, cara a cara, olho no olho, certamente não se pensaria duas vezes, os conceitos e valores seriam revistos e mudados instantaneamente. O lado humano falaria mais alto.
.
Estou certo Dr. Rodrigo Cançado, que a verdade prevalecerá e que a injustiça que está prestes a ser cometida contra estas trabalhadoras, venha ser banida do Estado de Minas Gerais. Peço a Deus que o ilumine na condução das apurações deste concurso e que estes tipos de condutas que ferem e machucam os sentimentos das pessoas sejam definitivamente extirpados da sociedade em que vivemos.
.
Ao Governador Aécio Neves, peço especial atenção a este assunto. Não deixem que matem os sonhos destas humildes mulheres.
.
Na oportunidade renovo meus protestos de estima e consideração.
.
Carlos Ramalho

Nenhum comentário: