terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

HORÁRIO DE VERÃO. NECESSÁRIO?

(Carlos Ramalho)

www.carlos-ramalho.blogspot.com

Você sabia que o horário de verão tem seus primórdios no ano de 1907 na Inglaterra quando um membro da Sociedade Astronômica Real, chamado William Willet iniciou uma campanha demonstrando que era possível diminuir o consumo de luz artificial bem como estimular o lazer dos cidadãos britânicos? A forma era simples, Willet sugeria avançar os relógios em 20 minutos nos domingos do mês de abril e retardá-los na mesma quantidade nos domingos de setembro. Já naquela época a polêmica idéia apresentada por Lord William foi muita combatida pela sociedade.

Anos mais tarde, em 1916, a Alemanha, era o primeiro país a implantar o horário de verão, o que foi seguido pela Inglaterra e diversos outros países europeus. Estava em curso a primeira Guerra Mundial e a economia de energia foi considerada um importante esforço de guerra. Desta forma o consumo de carvão, principal fonte de energia da época poderia ser melhor aproveitado.

Aqui no Brasil o horário de verão foi criado através de decreto pelo então presidente Getúlio Vargas, e desde 1931 vem sendo utilizado como forma de aproveitar melhor a luz solar. De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico - ONS a adoção desta medida no Brasil se dá em virtude da necessidade de segurança do sistema, uma vez que no período de verão ocorre um aumento gradativo na demanda de energia, principalmente quando as pessoas retornam para suas casas e ligam aparelhos elétricos. Sem contar que a iluminação pública também é acionada neste momento. Assim o aumento brusco da demanda de energia pode causar instabilidade no sistema energético.

Contextualização histórica e justificativa a parte, o horário de verão tem sido alvo de muita polêmica ao longo dos anos. Combatido por uns, defendido por outros não há uma equação que atenda plenamente aos anseios comuns dos cidadãos afetados pela controversa utilização da pratica aqui descrita.

Particularmente entendo que o assunto merece acalorado e contínuo debate principalmente em virtude das intensas mudanças climáticas que vem sendo observadas nos últimos tempos, o que faz com que o mundo em si já não seja o mesmo e como diz uma famosa canção atualmente “faz calor no inverno e frio no verão”, contra ponto que definitivamente não soa agradável e belo como na melodia musical.

No que se refere à saúde das pessoas a insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração, alteração de humor e alimentação são apenas alguns dos distúrbios que podem ser mencionados devido à alteração biológica forçada, imposta pelo horário de verão. É como se “evaporasse” uma hora de sono do relógio biológico humano e de acordo com o pneumologista e chefe do Laboratório do Sono da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Viegas o sono existe para que se possa restaurar do ponto de vista físico e psíquico. É preciso dormir um determinado número de horas, com qualidade, para se passar pelos vários estágios do sono. Não existe qualidade de vida sem qualidade do sono, afirma.

No contexto social no que se refere à distribuição de renda a grande massa da população não dispõe de recursos e nem veículos automotores equipados com ar condicionado e às vezes ainda são obrigados a exercerem suas funções laborativas em instalações que também não dispõe de tal recurso. Soma-se a este contexto o quesito “i”mobilidade urbana onde o caótico trânsito das grandes cidades é outro fator extremamente desfavorável e complexo sob a ótica do tema aqui abordado. As altas temperaturas, o sol escaldante e a ineficiência dos transportes públicos obrigam milhões de pessoas Brasil afora a exercitarem vigorosamente a virtude da paciência no horário compreendido entre 17 e 20hs onde se registra o maior fluxo de veículos e conseqüentemente intermináveis congestionamentos. O retorno para casa é um exercício diário, penoso com conseqüências terríveis em longo prazo do ponto de vista da exposição involuntária ao sol excessivo.

De acordo com o especialista Dr. Agliberto Barbosa de Oliveira, presidente do Departamento de Cancerologia da Associação Paulista de Medicina (APM) a radiação solar ao penetrar na pele profundamente desencadeia reações como as queimaduras solares e a desidratação. Porém, os piores danos surgem em longo prazo, como o envelhecimento precoce e a possibilidade de aparecimento do câncer de pele.

Do ponto de vista econômico o governo garante que a adoção do horário de verão é de fundamental importância para garantir a estabilidade do sistema energético, evitando diminuição dos riscos de restrição de carga nos horários de picos num eventual agravamento das condições dos reservatórios e consequentemente na capacidade de geração de energia pelas usinas. Para se ter uma idéia a economia gerado pelo horário de verão equivale a 2 mil megawatts, o que corresponde a produção de 3 turbinas de Itaipu ou ainda ao consumo de Brasília e Belo Horizonte juntas durante o horário de pico.

Pode ser que muitos tenham a contribuir com o tema e uma alternativa possível seria o governo adotar medida simples, porém eficaz no que diz respeito a promover campanhas publicitárias institucionais versando acerca da necessidade do uso consciente dos recursos hídricos e energéticos. Digo isto, porque na época do apagão ocorrido entre 2001 e 2002 a população brasileira correspondeu ao chamado do governo economizando mais do que os 20% de energia prevista inicialmente.

E é dentro do contexto acima abordado que este artigo tem por foco principal, ou seja, subsidiar e conclamar a todas as pessoas e segmentos sociais a refletirem de maneira ampla, abrangente e desapaixonada acerca dos reflexos advindos com a prática do horário de verão. O certo é que o uso deste artifício vem ano após ano demonstrando ser incompatível com as sazonalidades climáticas brasileiras e contra fatos não há argumentos.

Assim, há exatos cinco dias chegará ao fim a 39º edição (2009-2010) do horário de verão, trazendo consigo a veemente sensação de alivio e a certeza de que necessário é buscar ampla e irrestrita discussão sob o tema em questão, até porque o impacto maior da adoção desta medida desagrada grande parcela da população.

Curiosidade: Atualmente o Brasil é o único país equatorial a adotar o Horário de Verão

Forte abraço,

Carlos Ramalho

Fontes consultadas:
www.unb.br/noticias/unbagencia/cpmod.php?id=23776;
www.agenciabrasil.gov.br;
www.revistavigor.com.br/2008/03/25/sol-e-os-riscos-a-saude;
www.zenite.nu

2 comentários:

Carlos Chagas disse...

Nunca parei para pensar que o horário de verão afetasse tanto a vida do brasileiro... até no trânsito??????? Muito interessante!

Parabéns pela abordagem!

Ariane Carla disse...

Hei Carlão,

Tudo Bem?

Adoro receber seus artigos, favor não me retirar da sua lista.