quarta-feira, 14 de julho de 2010

Em Foco: A QUEDA DE UM ÍDOLO: DE HERÓI A VILÃO


Nem bem esfriou o triste episódio envolvendo, a queda do imperador Adriano, se assim posso dizer, e mais um caso de policia comprometendo outro jogador de futebol tem atraído os olhares incrédulos da opinião pública brasileira. A bola da vez é o já ex-goleiro Bruno, principal acusado de participar da morte de sua ex-amante, Elisa Samudio. A cada dia que passa as investigações trazem a tona detalhes de um crime chocante, sórdido, macabro, que por um dado momento, indiferente das motivações, conduz a uma reflexão introspectiva, acerca de como uma pessoa pode ser tão desumana para com outra?
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Não é novidade que célebres jogadores de futebol enfrentaram uma infância difícil, restritiva. Porém, contrariando expectativas de que seria apenas mais um na multidão, Bruno acreditou nos sonhos. Por apresentar um diferencial competitivo seja por vocação, ou até mesmo profissão, trilhou um caminho em que alcançou o estrelato, e conseqüentemente fama e dinheiro.
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Como que num piscar de olhos o anonimato se tornou coisa do passado, pois o belo desempenho dentro dos gramados credenciou Bruno ao posto de herói e logo passou a ser aclamado como ídolo por sua apaixonada torcida. Assim a exposição maciça pela mídia e as benesses que o futebol oferece só vem contribuir para que crianças, jovens e adolescentes desejem trilhar o mesmo caminho “dito” de sucesso de seus ídolos-heróis, pois atuar em um time profissional é o sonho de todo garoto.
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O tempo passa, e de repente começam a pipocar escândalos envolvendo o herói da massa. Rachaduras no castelo encantado começam a aparecer. Em meio a tantas conversas e controversas, aliados correm desesperadamente para tapar as trincas. Porém o estrago começa a abalar a estrutura e toma proporções gigantescas. A cada momento surge um novo fato e por fim uma derradeira testemunha aparece. De repente o castelo vem ao chão. Xeque mate! Sucumbiu-se o herói! E com ele seu reinado e liberdade.
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O aparente espanto espelhado no olhar das pessoas que acompanham o caso Bruno é de que o mesmo passou de herói a vilão, fruto do contraditório no que se refere afirmar que fama e dinheiro nem sempre traz estabilidade em seu sentido amplo a vida das pessoas. A história do herói dos gramados, outrora tão aclamado, agora nos quadrinhos ganha um triste fim, deixando uma lacuna de perguntas sem respostas e definitivamente um cartão vermelho para o quesito comportamental no que se refere à violência praticada.
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Por fim, a falta de bases sólidas e estruturadas reacende, quando refletimos sobre o caso Bruno, que de nada adianta viver uma vida ao dito “melhor” estilo, pois mais cedo ou mais tarde um abismo acaba chamando outro abismo, como diz um conhecido provérbio.
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Forte abraço,

Carlos Ramalho
www.carlosramalho.com.br

6 comentários:

Old Dutch disse...

Boa noite Carlos,

Ao meu ver, depois de ter ouvido nosso presidente dizer que “se punição funcionasse, aqui não teria tanta corrupção,” sei que é pela falta de punição que a corrupção corre solta nesse pais, mas tambem sei que o dinheiro e principalmente a facilidade de obter corrompe qualquer um, seja um punido, castigado, educado, honesto, moralista etc. porque o dinheiro deixa a mente fraca. Provas disso são esse caso, mais o de pai querendo matar o filho e vice-versa , mulher mandando matar marido, assaltante atirando vitima, tudo por causa desse merda chamado dinheiro. E por causa dele deixamos de educar nossos filhos, deixamos de educar o nosso povo, porque é mais facil conseguir um voto com uma esmola do que com uma proposta coerente. O que queremos? Deixar um planeta melhor para os nossos filhos, ou melhores filhos para o nosso planeta?

Todos querem ser Rei Midas, e parece que ninguem conhece a estoria.

Grande abraço,

Old Dutch

Holambra SP

Carlos Ramalho disse...

Prezado Old,

Devo confessar que também fiquei muito entristecido com a fala do Presidente em relação a lei que pune os pais em corrigirem os filhos com palmadas. Sou totalmente contra qualquer tipo de violencia contra crianças e adolescentes, porém a proposta tira a autoridade dos pais. Creio existir interesse de algum grupo por tras do assunto.

O que se observa na sociedade é a completa falta de estrutura moral. Infelizmente enquanto as pessoas trocarem o voto por esmola, como vc bem cita abaixo, seremos obrigados a conviver com tais discrepancias na política.

Forte abraço,

Carlos Ramalho

Sergio Souza disse...

Parabéns Carlinhos,



Muito bem abordada sua crítica sobre o assunto, uma vez que realmente nos leva a refletir sobre má formação psíquica em tenra idade, face a desventura da falta de uma estrutura familiar condizente com as necessidades infantis na formação de conceitos morais sólidos, tornando-nos adultos com sérios desvios comportamentais.

Grande abraço.

Sérgio Souza

Carlos Ramalho disse...

Meu caro amigo Sergio,

Muito obrigado pelo comentário.

A base de uma vida sólida começa na família. E quando ela é estruturada a chance de sucesso de uma criança é elevadissima e dura para a vida toda.

Forte abraço,

Carlos Ramalho

Sheila Neto disse...

Adoro textos inteligentes.
Continue me enviando e teras o meu voto...rsrs

Abçs e bom final de semana.

Carlos Ramalho disse...

Sheilinha,

Texto interessante? Fiquei muito feliz de saber que você assim o considerou. É sinal que estou no caminho certo no tocante a pontuar um ponto de vista diferenciado, porém convergente.

Abração e conto com seu voto, de seus amigos, de sua familia, etc, etc, etc