quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Tragédias Anunciadas

Por Carlos Ramalho
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Há praticamente duas semanas a população brasileira vem acompanhando entristecida a calamidade que se abateu sobre a Região Serrana do Rio de Janeiro, cuja tragédia climática já é considerada uma das maiores no Brasil. O fato se deu devido às fortes chuvas ocorridas na região nos dias 11 e 12, o que provocou enchentes e uma série de deslizamentos de terras. A combinação de água e lama varreu tudo que encontrou caminho morro abaixo e o cenário não poderia ser mais desolador. A cada imagem exibida à sensação aparente é de que passou um verdadeiro tsunami sobre os municípios atingidos tamanho é o rastro de destruição das áreas. Dados oficiais contabilizam até o momento mais de 700 mortos, entretanto devido o número de pessoas desaparecidas e localidades isoladas este número tende a subir até os finais dos trabalhos de buscas e resgates.

De fato chama atenção perceber que as chuvas têm provocado estragos em diversas localidades do Brasil. Geralmente atingindo regiões e pessoas mais vulneráveis que se encontram em áreas de riscos, fruto, claro, da desigualdade e exclusão social que se observa no país.

Dentro do contexto acima, e diante de tragédias anunciadas, fica evidente que as autoridades governamentais precisam investir em um sistema de prevenção eficaz de alarmes que ajude a evitar perdas de vidas humanas. Em diversos países do mundo, como na Austrália, por exemplo, que vem enfrentando uma das piores temporadas de chuvas de sua história, o registro de mortes até o momento (19/01/2011) é de apenas 19 vitimas, devido a retirada antecipada das pessoas das áreas que seriam alagadas.

Somente investimento e planejamento em infra-estrutura tendem a amenizar para que cenas como estas não voltem a se repetir nas próximas temporadas de chuvas.

Região Serrana do Rio
Beleza natural de valor imensurável
Das verdes matas e suas mansões
Dos cenários de encostas e seus grotões
Riqueza e pobreza, contraste de enredos
Enredo que vez ou outra inspira tristeza
Na melodia viva de cicatrizes profundas
Feito som impetuoso de muitas águas
Que desfigura paisagem e devasta o coração
Deixando rastro de espanto e destruição
Feridas na alma que jamais cicatrizarão
A esperança recolhida reflete o pensamento em cada olhar
Mas em meio ao caos emerge a solidariedade
No abraço que conforta, no choro que alivia
Gente de perto e de longe atenta a adversidade
Guerreiros incansáveis em meio à dor, quiça alegria

Que Deus abençoe a todos os enlutados e sem esperança neste momento.

Forte abraço,

Carlos Ramalho

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