quarta-feira, 28 de maio de 2014

Brasil, terra dos "100"

Por Carlos Ramalho

Estamos a poucos dias da Copa do Mundo, aliás, da Copa das Copas como prefere dizer o governo brasileiro.

É interessante que caminhando pelas ruas, nas conversas informais não percebo nenhuma empolgação das pessoas. Quando se fala em Copa, surge aquela nítida expressão interrogativa como a dizer, COPA? A tá! E dai?

A postura contrária da população brasileira não é de toda questionável. Afinal, há décadas que este país padece de cuidados e, lembremos agora, a fortuna que o governo investiu para realização do mundial no país sem que ao menos a evidência do tão propalado  "legado" fosse de todo ou em parte percebido como melhoria estrutural permanente.

Assim a indagação que surge é aquela de que adianta gastar bilhões de reais quando não se terá retorno concretos para a vida cotidiana das pessoas. Ouvi estarrecido na manha do dia 23/05/2014 que o governo iria colocar as forças armadas na rua para garantir a realização da Copa.

Ora, deveria o governo da Sra. Dilma, atual presidenta do Brasil, ter vergonha na cara e garantir a segurança da população não em período de Copa mas no dia a dia, haja vista, os altos índices de criminalidade que assola o país dizimando famílias de toda sorte e cor.

Dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde (MS), apresentados ontem (27), mostram que a taxa de homicídios é crescente no Brasil. Em 2012, o país registrou 56.337 homicídios, a maior taxa anual no período analisado, de 2002 a 2012, para traçar o Mapa da Violência 2014, da população Jovem do Brasil.

Precisa falar mais alguma coisa?
   
É por isso que digo, infelizmente, que o Brasil é o país da terra dos "100".

"100" Saúde
"100" Educação
"100" Infra-estrutura
"100" Emprego

E tantas outras "100" coisas que poderiam fazer a vida, como cantava o eterno poeta Gonzaguinha, "ser bonita, ser bonita e ser bonita".

Abraços,

Carlos Ramalho

sábado, 10 de maio de 2014

Ah! Brasil!?

Ah! Brasil!?

Por Carlos Ramalho

Desde o recente passado do período das Diretas Já, que não se via tamanha efervência social no Brasil. 

Saber que os brasileros andavam e andam descontentes com a prestação de serviços públicos não é novidade para ninguém. Entretanto, o que ninguém esperava era que a população fosse para as ruas como ocorreu na Copa das Confederações em 2013 e provavelmente ocorrerá na Copa do Mundo.

Há quem discorde veementemente das manifestações e da desordem que se instaurou no país devido a quebradeira protagonizada por determinados grupos sociais. Particularmente, entendo que "quebradeira" não é sinal de democracia, entretanto, historicamente, desde a época da Revolução Burguesa, em que  classes sociais menos favorecidas não aguentando mais pagar tantos tributos para sustentar a monarquia, sem ter em troca a contrapartida na forma de prestação de serviços, protagonizaram verdadeiras batalhas em busca de mudanças no paradigma social aquela época.

Dentro do contexto acima, tenho por convicção que os ditos radicais não devem confundir manifestações populares legítimas com um processo revolucionário que vise a ruptura brusca das instituições democráticas, que acabe por limitar ou restringir direitos fundamentais históricos conquistados a duras penas.

Aventar o retorno de governos ditatoriais em nada contribui para o fortalecimento social, até porque conforme preconiza S.TÓMAS, em sua obra Summa Theologica, Parte II da Segunda Parte, Questão XIII, "um governo tiránico não é justo, porque é orientado, não para o bem comum, mas para o interesse privado do governante. Consequentemente, não há sedição quando se ataca um governo desta espécie, salvo no caso de ser tão desordenada que os súditos sofram maior dano com a pertubação causada do que com o governo tirano".

No momento atual do Brasil, pode-se observar que de norte a sul há um clamor, principalmente por segurança, o que faz com que parcela da população deseje uma mudança brusca na forma de poder constituido que vise compelir esta banalização social da violência que se instaurou no seio da sociedade.

Tenho por por nítida convicção que a cada dia rasga-se a lei maior do país, a Constituição Federal, quando não se introduz formas eficazes de garantir o seu mais elementar fundamento que é o da dignidade da pessoa humana, principalmente a vida, conforme preconizado no Art. 1º, III.

Devo lembrar, e se faz necessário lembrar, que a mesma Constituição Federal citada acima, afirma no Parágrafo Único do Art. 1º que "todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição", ou seja, a responsabilidade pela condução deste país perpassa por cada um dos brasileiros e brasileiras que depositam o voto nas urnas.  Daí porque, buscar conscientizar e refletir sobre a sua participação no futuro da nação. 

Manifestaçòes populares são e serão sempre bem vindas. Porém, jamais haverá manifestação tão poderosa e promissora do que aquela que restringir ou limitar o acesso de políticos descompromissados e cara de pau através das urnas.

Ah! Brasil!? 

Acorda! Vamos nessa!

Carlos Ramalho